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Febre de sábado metálico

Findo o que foi um grande concerto, ficam alguns vídeos para apreciarem:







Podem ainda ver mais alguns acedendo a esta lista:
http://www.youtube.com/playlist?list=PLD5DAA430A7E80E71&feature=plcp

Febre de sábado metálico

 

Entrevista ao CM antes do concerto na FIL



"Vamos fazer um dia para mostrar a cultura do metal, porque é importante que percebam que é mais do que um estilo musical ou um estilo de vida." É assim que Fernando Ribeiro dos Moonspell fala do "evento" que se realiza hoje na Feira Internacional de Lisboa (FIL), no Parque das Nações, e que além do concerto da banda, às 23h00 (uma hora antes sobem ao palco os Bizarra Locomotiva) conta com uma conferência, a exibição de um documentário sobre a proliferação do metal no Mundo e uma mostra de fotografia.


'Não vai combater o preconceito, mas vai levar curiosos a ver o que é o metal', disse ao CM Fernando Ribeiro, que compara este dia ao conceito dos hipermercados: 'Está tudo ali.'

Primeiro grande concerto da banda em Lisboa desde 2007, devido a uma agenda essencialmente internacional, terá uma forte aposta em efeitos visuais. 'Achamos importante que os concertos sejam mais do que tocar. Vamos ter vários vídeos, criações de autor de Eurico Coelho, que contam histórias e completam o efeito que as músicas têm sobre as pessoas', revelou ao CM o vocalista da banda.

Agradar aos fãs, com um alinhamento pejado de surpresas, é outro objectivo. 'Vamos recriar a magia que se tem vindo a perder. O alinhamento é composto por músicas que não tocamos há dez anos. Haverá um equilíbrio entre todos os discos que já lançámos', disse o vocalista da banda que em Fevereiro começa gravar um novo álbum.

Os Moonspell garantem ser um orgulho terem feito a curva da geração. 'Temos fãs que vão de avós a netos. Há pessoas de 60 anos mas também de 10 anos.' O evento, para todos, promete ser o 'maior espectáculo audiovisual' que a banda já realizou em Portugal e no Mundo.

DETALHES

JORNADA METÁLICA

O Dia do Metal tem uma conferência sobre metal e escrita às 18h00, a exibição de um filme às 20h00, os Bizarra Locomotiva às 22h00 e os Moonspell às 23h00. Tudo por 15 euros.

TODAS AS GERAÇÕES

O metal fez a curva da geração e, por isso, a classificação do evento é para maiores de três anos. A abertura das portas é às 17h30.

AFTER SHOW PARTY

O evento continua até de madrugada com um DJ Setting dos Moonspell, às 01h00.

ALINHAMENTO-SURPRESA

Fãs ouvirão êxitos como ‘Luna’ e também músicas como ‘Magdalene’ e ‘Herr Spiegelmann’.

“É AQUELE CONCEITO DOS HIPERMERCADOS: ESTÁ TUDO ALI”

- Correio da Manhã - Em que consiste este dia dedicado ao metal? Como surgiu esta ideia?

- Fernando Ribeiro - A ideia sempre foi fazer um grande concerto em Lisboa. A última vez que actuámos em Lisboa foi numa situação diferente porque fizemos não um concerto mas o que se chama de evento – Halloween. Não tivemos oportunidade de repetir porque estivemos sempre a tocar nos EUA. Entretanto surgiu o convite da FIL, nós marcámos o concerto e a primeira parte fica a cargo da banda Bizarra Locomotiva. Tínhamos de fazer um concerto que mostrasse um pouco a cultura metal porque o metal é muito mais que um estilo de música e um estilo de vida. Havia coisas muito dispersas em Portugal e nós tentámos aproveitar o concerto para por de pé uma primeira iniciativa que conta com uma exposição de fotografia, um documentário que fala da proliferação do metal por todo o mundo e como isso é inesperado – entrevistam-se pessoas do Japão, da China, do Iraque, entre outros - e uma conferência onde se falará do metal e a escrita, que contará comigo, com o Luís Peixoto, com o Henrique Raposo do Expresso e com o editor António Pacheco. Interessa mostrar que as pessoas do metal têm importância, têm carreiras, têm uma vida positiva e bem sucedida. Não se vai combater o preconceito mas vai levar as pessoas que estão curiosas de saber o que é isto do metal a ir ver. É um bocado aquele conceito dos hipermercados – está tudo ali.

- Quais são as expectativas?

- Mike Gaspar - O último concerto, com um bom cenário e com um bom espectáculo de luzes, já não acontece desde 2007. A expectativa é ser uma grande celebração porque traz de volta tudo o que temos estado a fazer lá fora, em todos os continentes, com o nosso último álbum e todos os clássicos. Queremos que esse sentimento regresse à casa.

- Este é o primeiro grande concerto em Lisboa desde 2007. Porquê?

- Fernando Ribeiro - A nossa agenda é mais internacional. Os concertos em Portugal nascem muito da vontade dos Moonspell porque os promotores marcam concertos bandas de metal mas é um dia num ano. Ainda não descobriram que o metal é um estilo que vende bilhetes. No caso do nosso concerto metade da lotação já está vendida em pré-venda, o que é excelente, principalmente nos tempos que correm. Queremos tocar em Portugal, não só em Lisboa, mas também na Madeira e nos Açores porque como não têm tantos espectáculos apreciam os concertos de outra maneira. Quando tocamos em Lisboa queremos impressionar porque é um público muito habituado a concertos. Dez concertos, por ano, em Portugal é pouco. Fazemos isso numa tournée só na Alemanha ou na França, como já aconteceu.

- Pode esperar-se que este tipo de evento se repita noutras zonas do País?

- Mike Gaspar - Já pensámos nisso, até já pensámos numa tournée por Portugal mas é muito difícil porque é país muito pequeno. A cultura do metal está muito escondida em Portugal e era uma forma de a mostrar. Queremos acabar com a ideia de que algumas gerações não vão a este tipo de concertos.

- O concerto contará apenas com a apresentação do último álbum ou haverá surpresas?

- Fernando Ribeiro - Nós não gostamos de divulgar as músicas que vamos tocar. Estamos a manter isto em segredo. Sei que já não se usa mas nós temos esta teimosia. Além disso, vai ser o maior espectáculo audiovisual que alguma vez fizemos, quer em Portugal, quer no mundo. Interessa recrear a magia que se tem vindo a perder. Vamos tocar músicas que não tocamos há dez anos, acho que os fãs vão ter sensações únicas. Estamos a preparar um alinhamento que recupera esses clássicos. Além disso, há aquelas músicas que não podem deixar de ser tocadas como ‘Luna’. Estamos a prepara um alinhamento que surpreenda mas principalmente que funcione para a banda. Haverá um equilíbrio entre todos os discos que já lançámos.

- Que aposta é esta em efeitos visuais?

- Fernando Ribeiro - Sempre achámos importante que os concertos fossem mais do que tocar. Vamos ter vários vídeos que completam os efeitos que as músicas têm sobre as pessoas. Os vídeos são criações de autor, da autoria de Eurico Coelho, feitos mesmo para as músicas. Contamos histórias nos vídeos. Já experimentámos no Halloween e resulta. Neste concerto vamos utilizar um ecrã de LED.

- Pode dizer-se que a música dos Moonspell atravessa gerações?

- Fernando Ribeiro - Sim e, por isso, é muito difícil caracterizar o típico fã dos Moonspell. Somos uma banda democrática no sentido de abranger muito público. Já há pessoas que são avós mas temos também vários jovens.

- Lembram-se de algum fã particularmente mais velho?

- Mike Gaspar - Em Atenas, tínhamos na plateia um fã com o cabelo completamente branco. Tinha perto de 60 anos e mostrou-se muito contente com o concerto e por ter estado perto de mim e lembro-me de pensar que devia ser o contrário. Temos também umas senhoras de 50 anos que escrevem bastante para o myspace.

- Fernando Ribeiro – Lembro-me de uma rapariga de dez anos que a primeira vez que esteve num concerto ao vivo foi num de Moonspell, no Hard Rock. E agora, já tem bilhete para este. É um privilégio fazer esta curva da geração. Temos fãs que nos acompanham na maior parte dos concertos. Há sempre muita procura dos fãs espanhóis. Quando tocamos nos EUA há pessoas que chegam a ir a dez concertos. O mundo é uma concha hoje em dia.

- Notam diferenças nos públicos dos vários países?

- Fernando Ribeiro - Os públicos e as experiências são totalmente diferentes. Não tem nada a ver tocar na Rússia com tocar no Chile, por exemplo. Acho que cabe à banda dar um bom espectáculo em todas as circunstâncias e em qualquer país mas o público também faz parte do concerto e convencido pela banda também começa a dar o seu espectáculo. Na última tournée os argentinos, em Buenos Aires, fizeram um cântico que têm de football com o nome dos Moonspell. É mesmo uma canção que têm mas que adaptaram e fizeram-no porque gostaram mesmo do concerto. Tocar lá é fazer verdadeiras massagens ao ego. Também já tivemos concertos memoráveis no Porto, em Paris, e em vários sítios. Mas há também países que são mais difíceis como a Alemanha. É sempre um grande desafio mas lembro-me de um concerto em Berlim muito bom.

- São acarinhados pelo público nacional e internacional da mesma maneira ou notam diferenças?

- Fernando Ribeiro - Somos muito acarinhados. O nosso primeiro coliseu esgotado foi em 1998, nem sabíamos o que era um coliseu esgotado. Por isso é injusto para o público nacional dizermos que o público internacional nos acarinha mais, até porque acho que o público português tem uma vantagem – a identificação nacional com a banda. Por exemplo se um português for ver o maior festival de metal do mundo – Wacken Open Air, na Alemanha – e encontrar uma pessoa de outro país, diz que é de Portugal e o assunto não é o Cristiano Ronaldo, não é o bacalhau, é imediatamente os Moonspell e, isso é muito engraçado e inédito no panorama musical português. Eu gosto sempre de ver as pessoas que aparecem com a bandeira de Portugal sem sequer serem portuguesas. Há também pessoas que já começaram a aprender português e que descobriram, por exemplo, Fernando Pessoa e tudo isso tem um denominador comum que somos nós.

- Em relação ao futuro, já existem novos projectos?

- Fernando Ribeiro - Para agora temos de preparar este concerto mas em Fevereiro ou Março vamos começar a trabalhar no nosso próximo álbum. Vamos tocar a alguns festivais de verão, já temos marcações na Alemanha, Grécia, Bélgica e alguns concertos esporádicos mas o grande projecto para o ano é gravar e editar o nosso novo álbum. Nós gostamos de lançar álbuns com frequência, é o nosso fluxo de vida.


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